Versão Oficial

Título

  • Proposta de implementação de uma rede móvel baseada em solução open-source
  • Criação de uma rede GSM acadêmica
  • Implementação de uma rede GSM open-source para fins acadêmicos
  • Estudo, aperfeiçoamento e implementação de uma rede GSM open-source
  • PRoposta para criação de uma rede de telefonia móvel baseada em colaboração
  • Implementação de uma rede GSM/GPRS acadêmica baseada em tecnologia open-source
  • Proposta de implementação de uma rede móvel com funcionalidades básicas do serviço de telefonia GSM/GPRS baseada em tecnologia Open-Source


Palavras-chave

  • BSC, GPRS, GSM, OpenBSC, rede móvel, telefonia celular

Key Words

  • BSC, Cellular telephony, GPRS, GSM, mobile network, OpenBSC

Resumo

O objetivo deste artigo é propor a implementação de uma estrutura de rede móvel composta por uma controladora de estações radio-base (BSC) que desempenhe as funções de controle, gerenciamento, sinalização e transporte de chamadas de voz e de dados.

Adicionalmente, permitir que se evolua para a implementação dos elementos de uma rede móvel de terceira geração, porém provendo serviços apenas de dados e dessa forma facilitar o aprendizado dos alunos e gerar novas aplicações sem a necessidade de ter uma infraestrutura de software adquirida junto aos fabricantes tradicionais.

Na prática, um usuário com um dispositivo móvel conectado a um modem poderá acessar um serviço de dados numa rede particular com as seguintes funcionalidades básicas: registro na rede, aquisição de um endereço IP (Internet Protocol) e transferência de dados dados para a rede mundial de computadores. Todo o desenvolvimento deste projeto será baseado em soluções open-source integradas a equipamentos comerciais como rádios e aparelhos móveis. Ainda será necessária a conexão com centrais telefônicas tradicionais.

Objetivos

O objetivo deste projeto é implementar uma estrutura de rede móvel composto por uma controladora de estações radio-base (BSC) que desempenhe as funções de controle, gerenciamento, sinalização e transporte de chamadas de voz e de dados.

Adicionalmente, permitir que se evolua para a implementação dos elementos de uma rede móvel de terceira geração, porém provendo serviços apenas de dados e dessa forma facilitar o aprendizado dos alunos e gerar novas aplicações sem a necessidade de ter uma infraestrutura de software adquirida junto aos fabricantes tradicionais.

Efetivamente, a proposta é desenvolver uma solução que desempenha as funções de controle de rádio de um serviço 3G. A finalidade principal é fornecer um serviço de transmissão de dados, excluindo-se neste caso, o serviço de voz, que permita executar tarefas como navegação na internet, acesso a email, transferência de dados, etc.


Na prática, um usuário com um dispositivo móvel conectado a um modem poderá acessar um serviço de dados numa rede particular com as seguintes funcionalidades básicas: registro na rede, aquisição de um endereço IP (Internet Protocol) e transferência de dados dados para a rede mundial de computadores. Todo o desenvolvimento deste projeto será baseado em soluções open-source integradas a equipamentos comerciais como rádios e aparelhos móveis. Ainda será necessária a conexão com centrais telefônicas tradicionais.

Justificativa

A tecnologia de telefonia móvel está presente na maioria dos países provendo serviços de comunicação que envolve chamadas de voz, chamadas de dados e outras tantas funcionalidades. A abrangência deste serviço pode ser verificada com a migração crescente de usuários de telefonia fixa para móvel e também pela utilização maciça de aparelhos celulares, de crianças aos mais idosos, de usuários mais favorecidos até as camadas mais pobres da população mundial.

As inovações de tecnologias e serviços vem alterando o sistema de telecomunicações.Varias possibilidades de evolução do sistema, principalmente em um ambiente de competividade, faz necessario uma etapa de planejamento.Uma destas possibilidades, o GSM,foco desde trabalho, lidera o ranking de utilização de tecnologias de comunicação móvel, segundo a Anatel, em dezembro de 2010 haviam no Brasil 178.108.707 celulares GSM e em julho de 2011 esse número é de 186.886.207 aparelhos, o que representa 85,99% do total de celulares do país. O crescimento era de 1.253.928 aparelhos por mês. Ainda segundo a associação, para cada 100 habitantes em território brasileiro, exitem 95,98 aparelhos celulares e um total de 217.345.962 aparelhos no mesmo período. Já a empresa Gartner, publicou uma pesquisa onde mostra que foram vendidos 427,8 milhões de telefones celulares no primeiro trimestre de 2011. Em comparação com o mesmo perído de 2010, este número representa um crescimento de 19%. No mundo, a participação do GSM também é expressiva, no final de 2010, haviam 5,1 bilhões de celulares, segundo a UIT, Wireless Intelligence e GSA/Informa. O Brasil está entre os principais mercados do mundo e no ranking de operadoras de 2010, a China Mobile, Vodafone, América Móvil, Telefonica e China Unicom são as cinco primeiras colocadas, de acordo com dados fornecidos pelas próprias operadoras.

Essa grande utilização do GSM, é devido a muitas vantagens proporcionadas para os envolvidos no negócios: os usuários se beneficiam da alta qualidade de voz, da taxa de transmissão de dados e das chamadas a custo reduzido, principalmente pelas mensagens SMS; as operadoras , que conseguiram reduzir seus custos acarretado pela interoperabilidade entre os diversos equipamentos dos mais variados fabricantes, já que GSM é um padrão aberto e por esta característica facilita a proposta deste trabalho.

Como se tornou a tecnologia de mais ampla utilização, incorporá-la no currículo das escolas ,parece bastente interressante,propondo a ensinar as teorias sobre as comunicações móveis. Interessante tambem seria ensinar no nível prático, as formas de transmissão, de comunicação, de modulação e outras tantas atividades desempenhadas por exemplo numa chamada entre aparelhos celulares.Porem a aquisição de uma infraestrutura, por menor que seja, é inviável para uma academia. Resta ao professor e aluno, restringir a aula a um conjunto de slides, filmes e fotos das plataformas de telecomunicações. Com muita sorte podem conseguir uma visita a uma central ou a elementos de uma rede móvel para conhecer ao vivo e a cores o funcionamento básico, porém sem cogitar em manipular alguma coisa.

Uma ansiedade da comunidade academica é disponibilizar acesso a tantas modalidades de serviço que hoje são relegadas aos ambientes proprietários das grandes operadoras que dependem dos mega fornecedores. Conseguindo implementar um ambiente próximo do real que é oferecidos pelas empresas de telecom haveria condições excelentes para que as escolas melhorassem o padrão do aluno e do professor com relação ao seu desempenho e aos resultados gerados a partir disso, como publicações, protótipos e novas aplicações e serviços.

A implementação da proposta deste projeto é factível porque existem iniciativas no mundo open-source que permitem que a equipe inicie seu desenvolvimento a partir de um ambiente disponibilizado por outros colaboradores. É uma tarefa árdua mas que será baseada numa solução já testada e validada por pesquisadores de outros países. A intenção aqui é dar continuidade num trabalho bastante evolúído e que depende de implementações específicas para que se torne uma solução capaz de atender aos serviços mínimos de telefonia móvel.

Outra grande oportunidade presente neste trabalho é a possibilidade de evoluir para novas gerações das tecnologias presentes. Com a infraestrutura instalada para o GSM, poderá ser planejada uma nova fase para implantação de soluções que envolvem a terceira e/ou quarta geração da telefonia celular.

Introdução

A Telefonia Móvel é um dos serviços mais utilizados atualmente por uma série de fatores como aparelhos a preços acessíveis, mobilidade, inúmeras funções disponíveis e ainda ampla cobertura, podendo ser usado a nível global. A mobilidade, um dos fatores alavancadores da tecnologia só é possível graças à utilização da radiodifusão como meio físico de transmissão.

Nas primeiras implementações de sistemas de comunicação móvel, uma prática comum era tentar atingir grandes áreas de cobertura através de transmissores de alta potência. Essa tentativa era agravada pela limitação do número de usuários em função da alocação de uma frequência única para cada conexão. Posteriormente, surgiu o conceito de telefonia celular, que dividia em regiões denominadas células, as áreas a serem cobertas. Com a implementação do handover que permitia ao usuário se deslocar pelas células sem que o sinal caísse, essa proposta foi efetivamente adotada [1] [2].

Para criar condições de montar células que cobrissem áreas específicas foi instituída a figura da Estação Radio Base (ERB) que era a ligação entre uma central de comutação e o aparelho móvel. Entre o aparelho e a estação radiobase, o acesso era por radiodifusão e entre a estação radiobase e os demais elementos até a central, normalmente por interfaces físicas. Foi possível atender à crescente demanda de usuários simplesmente aumentando os canais disponíveis numa ERB para uma determinada região, tudo isso sem exigir muito da potência de transmissão. Com a possibilidade de reutilização das frequências em células não contíguas, tornou-se ainda mais eficiente o processo de atender as chamadas em larga escala.

Assim, a evolução das tecnologias de telefonia celular foi organizada em gerações com o objetivo de facilitar seu entendimento. A primeira geração, implementada a partir dos anos 80, tinha como característica marcante a transmissão analógica, atingia qualidades adequadas para chamadas de voz, porém era inviável para transmissão de dados. No início da década de 90, a segunda geração confirmou toda a expectativa da comunidade mundial num serviço eficiente de telefonia móvel, nesse momento, já utilizando o padrão digital permitia serviços confiáveis para voz e dados. Com a atuação maciça de pesquisadores, cientistas, engenheiros e demais profissionais, surgiram gerações intermediárias. Inicialmente criou-se a tecnologia Global System for Mobile (GSM), logo em seguida, aproveitando a infraestrutura do GSM surgiu a geração 2,5 também chamada General Packet Radio Service (GPRS) e 2,75 ou Enhanced Data rate for GSM Evolution (EDGE) com foco direcionado para o aumento da capacidade de transmissão de dados. A terceira geração (3G) consolidou definitivamente a aceitação global da telefonia celular como serviço adequado para os mais diversos fins, incluindo o acesso a internet. Neste momento, o mundo vive a fase de introdução da quarta geração que promete, principalmente taxas ainda maiores para as chamadas de dados.

Cada nova geração não exclui os avanços da geração anterior, e sim, aproveita-os, acrescentando novos recursos e funcionalidades. Sendo assim, a criação de redes 3G não determinou o fim da utilização de redes GSM. Ambas funcionam simultaneamente, existindo compatibilidade de tecnologia e uso conjunto do núcleo da rede, também denominado Core Network, composto por bancos de dados como VLR e HLR e pela própria controladora MSC.

A proposta deste projeto é implementar, por software, todas as funções que permitem a operação real de um serviço de telefonia móvel usando a tecnologia GSM. Denominado como OpenBSC [6], projeto este que é uma extensão da proposta de colaboração implementada pelo grupo Osmocom, da Alemanha, objetiva incluir funcionalidades executadas por componentes da rede GSM que serão descritos no desenvolvimento deste projeto, são eles: BSC, MSC, HLR, AuC, VLR e EIR. A parte de dados GPRS não será contemplada neste momento. Para atender a essa expectativa, espera-se evoluir a partir deste projeto para a rede 3G que demonstra ser mais interessante implantar a estrutura de chamadas de dados devido à maior capacidade de transmissão.

Logo, quando implementado o projeto, os alunos poderão aprender sobre o funcionamento de uma rede de telefonia móvel e seus elementos, realizando testes na estrutura montada, primeiramente com tecnologia GSM, mas podendo extender o aprendizado adquirido para a terceira geração (3G) e suas próximas evoluções.

Desenvolvimento


O projeto é baseado na solução iniciada pelos pesquisadores da Osmocom, um grupo cooperativo que disponibiliza uma base de software que pode ser utilizada para pesquisa e colaboração por universidades, empresas e demais interessados no mundo inteiro. A solução provida por este grupo permite a implementação deste ambiente e sugere alguns equipamentos que podem ser utilizados para tal fim.

Uma rede de telefonia celular GSM é construída a partir de três elementos principais: o conjunto estação radiobase e controladora, a estação móvel e a central de comutação móvel [4].

As estações móveis mantêm um transceptor de voz e dados que se comunica com os rádios das estações radiobase em qualquer um dos canais alocados, referenciados como link direto e link reverso. O processo exige que mensagens de controle sejam trocadas entre a estação móvel e a estação radiobase, por exemplo, pedido do móvel para acessar um canal, resposta para o móvel identificar o canal alocado e mensagens da base para o móvel, para que este sintonize outro canal, quando num momento de handoff.

As estações radiobase ou Base Transceiver Station (BTS), são elementos da rede GSM responsáveis pela comunicação entre a estação ou unidade móvel e o núcleo da rede. Sendo assim, as BTSs, juntamente com a Base Station Controller (BSC), constituem a rede de acesso até a central de comutação móvel. Uma BTS é constituída por uma estrutura física de torre e antenas que abrigam um transceiver, que transmite e recebe os sinais captados dos aparelhos móveis distribuídos na sua região de cobertura. Complementa um conjunto de microprocessadores que controlam, monitoram e supervisionam as chamadas entre os dispositivos móveis. A BTS também tem a responsabilidade de avaliar os níveis de sinal para verificar a necessidade de handoff [5].

Controlando diretamente as estações radiobase, encontra-se a BSC que se conecta à central de comutação móvel. Entre as várias funções da BSC, destacam-se o controle dos canais da BTS e da potência dos equipamentos, manipulação das conexões entre as estações móveis e supervisão dos enlaces entre as unidades móveis e a BTS.

Centralizando todas as operações da rede, por possuir uma visão sobre todas as células, a Central de Comutação Móvel ou Mobile Switched Center (MSC) é a responsável pelo gerenciamento e controle das BSCs, suporte às tecnologias de acesso e às atividades de processamento de chamadas possuindo ainda a nobre missão de interoperar com a Rede de Telefonia Pública Comutada (RTPC).

A intenção é montar uma pequena rede para utilização acadêmica com os serviços comuns de telefonia móvel e num futuro, possivelmente substituir as soluções de software proprietárias comercializadas a altíssimos preços pelos grandes fabricantes. Como exemplo podem ser citados, os drivers para os periféricos da rede GSM analógica e digital e a pilha de protocolos GSM, da camada 1 até a camada 3.

Efetivamente, usando um telefone compatível, o sistema desenvolvido permitirá fazer e receber chamadas telefônicas, enviar e receber SMS. O foco do projeto está em desenvolver uma BSC, no lado do protocolo A-bis que permite a conexão da BTS com a BSC. Foi utilizada a especificação técnica GSM 88.5x e 12.21. Ela implementa um subconjunto mínimo da BSC, MSC e HLR.

A figura colocada na introdução deve mostrar as interfaces A-bis, A e B.

O projeto pretende como resultado fornecer uma base para pesquisa e experimentação da uma rede GSM permitindo desta maneira um aprendizado profundo sobre a rede GSM em baixo nível mas operando equipamentos convencionais. Dessa forma, não se pretende, num primeiro momento, construir uma estrutura confiável e estável envolvendo uma MSC e BSC, já que uma rede comercial possui um alto nível de disponibilidade. Efetivamente, não se contemplará todos os detalhes de uma especificação GSM. Em contrapartida, levará até o pesquisador da área, um ambiente acessivel para estudo, avaliação e desenvolvimento de novas funcionalidades, como por exemplo, desafios envolvendo segurança.

A solução OpenBSC foi quase que completamente numa linguagem portável mas existe uma parte não-portável: o driver de entrada que exige um kernel Linux com suporte a mISDN e um cartão de interface E1 compatível com mISDN. Vinculado a isto precisaremos ter uma BTS baseada em E1. Alguns equipamentos poderão ser adquiridos para testar a rede já que ela terá interfaces para os produtos do mercado. Um exemplo de estação radiobase que já foi testada e compatibiliza com a solução é uma microBTS Siemens ou uma nanoBTS.

Existem dois modos de configuração previstos para a solução Open BSC. O primeiro deles, é uma solução unificada, onde as funcionalidades de uma BSC são concentradas num único módulo juntamente com as funções de outros elementos da rede como MSC, HLR, VLR, etc. Esta implementaçao é muito diferente de uma rede clássica GSM na qual a BSC é apenas um dentre os vários elemento da rede. Já a BTS é um elemento necessário para ser conectado à solução OpenBSC que conterá os demais elementos integrados. Dessa forma, teremos a solução OpenBSC podendo ser conectada às BTSs utilizando a interface Abis via conexão E1 ou IP. Para implementar as funções previstas, deverá ser usado o programa osmocom-nitb, disponibilizado pelo grupo de pesquisa.

O segundo modo de configuração é o chamada only BSC que requer que tenhamos os outros elementos da rede como os descritos anteriormente. Este modo está previsto para ser implementado numa parceria com uma operadora que abra sua infraestrutura para integração com essa solução. Nesse caso, utilizaremos o programa osmoBSC.

O roadmap de implantação desta solução envolve algumas atividades específicas. A primeira delas é a inicialização da BTS onde estará preparada para assumir o controle do uso e da integridade dos recursos de rádio. A partir daí, a BSC terá condições de alocar os canais e atribui-los aos dispositivos demandantes da chamada.

Para prover os recursos de cadastro e perfil de serviço, a solução provê uma HLR bem simples numa base de dados SQL. A partir de uma autenticação não segura, os usuários do sistema poderão ser liberados para usar o serviço de chamadas telefônicas com verificação do IMEI e do IMSI, a partir das informações recebidas do SIM card. Os critérios de autenticação envolverão chaves baseadas no algoritmo COMP128v1 usado pela maioria das concessionárias apesar de haver métodos mais complicados e que dificultam uma clonagem, isso se o SIM Card tiver uma chave Ki conhecida. Apesar de ser divulgado que alguns pesquisadores já conseguiram clonar aparelhos GSM utilizando engenharia reversa neste algoritmo, este servirá para nossas experiências acadêmicas.

A transmissão de pacotes com o nome da operadora e definições de zona e horário local também é contemplada no OpenBSC e ainda mantém registro de atualização da área de localização dos último local que o aparelho móvel percorreu. Já a questão do handover é possível apenas entre múltiplas células de uma mesma BSC.

O serviço SMS (Short Message Service) também pode ser disponbilizado na solução OpenBSC. Ele mantém um esquema de "store and forward" para o envio e recepção de mensagens curtas incluindo roteamento entre os assinantes. Será implementado a opção de enviar mensagens pela linha de comando e também por meio de aplicações externas a partir da gravação em tabelas SQL.

A função de chamada de voz, ainda o serviço principal do serviço de telefonia móvel GSM será liberado para os usuários dessa solução tanto para chamadas originadas (MO - Mobile Originated) como para chamadas terminadas (MT - Mobile Terminated). Os codificadores de voz utilizados são: EFR - Enhanced Full Rate trabalhando com taxas de 12.2 Kbit/s e o FR - Full Rate nas taxas de 13 Kbit/s. Já o esquema de compressão de áudio aprovado pelo 3GPP, AMR - Adaptative Multi Rate é oferecido apenas para a segunda versão, BSC only e tem a grande vantagem de também ser utilizado nas redes UMTS.

Atendendo às atuais demandas, o serviço de transmissão de dados pode ser usufruido nas tecnologias GPRS (General Packet Radio Service) e EDGE (Enhanced Data rates for GSM Evolution). A solução OpenBSC permitirá configurar uma nanoBTS para estas duas tecnologias e poderá interoperar com uma SGSN via interface Gb. O desenvolvimento deste projeto prevê cooperar na construção do versão beta do módulo OsmoSGSN.

Todas estas funções descritas, atestam que uma rede móvel com uma boa parte do serviços disponíveis pode ser implementada a partir de uma versão básica disponibilizada pelo grupo de pesquisa Osmocom e seguindo alguns procedimentos de instalaçã, configuração, avaliação e adaptação tem-se como resultado uma aplicação que representa todo a estrutura de uma controladora de estação radiobase que estará interoperando com uma BTS e que poderá unificar ou não os outros elementos de rede.

Com essa solução adaptada aos elementos externos implementados pela nossa equipe de pesquisadores, poderão ser simulados, estudados e avaliados a maioria das funções utilizadas a nível comercial para a telefonia celular GSM e a partir daí permitir a criação de novos serviços ou a migração para uma rede de nova geração.

Conclusão

Com a ampla aceitação e expansão dos serviços de telefonia móvel, onde a tecnologia GSM conseguiu efetivamente alavancar este negócio, pesquisadores do mundo inteiro se preocuparam em melhorar cada vez mais, as técnicas e aplicações para prover o melhor serviço para a sociedade. Apesar do GSM trazer uma documentação aberta com fácil acesso, a implementação das novas pesquisas ainda dependem de facilidades junto às operadoras que mantém toda a infraestrutura da rede. O acesso a controladoras, estações radiobases e centrais era inacessível principalmente pelo caráter de segurança necessário a este negócio.

Implementar e disponibilizar uma rede que permita fácil manipulação e acesso a pesquisadores, estudantes e professores passou a ser uma possibilidade quase remota. Este projeto com essa proposta pode tornar realidade uma antiga necessidade que além de facilitar o aprendizado dos envolvidos nas tecnologias de comunicação móvel permita que se crie novas aplicações envolvendo os desafios atuais e ainda que se evolua para rede de nova geração como 3G e LTE.

As escolas, com essa estrutura similar ao utilizado pelas empresas que prestam serviço de telefonia móvel poderão acelerar e ajudar na evolução da tecnologia que tem sido fundamental para o crescimento dos países em geral.


Metodologia

O primeiro requisito para a implementação do projeto Open GSM é o estudo detalhado dos elementos de rede GSM. Estruturas que suportam toda a comunicação como a central MSC, as controladoras de estações radiobase e a próprias estações, denominadas BTs precisam ser profundamente conhecidas para que se tenha condição de entender perfeitamente as funções utilizadas numa solução como essa.

Além dos elementos de rede com suas funções e características serão estudadas também as estruturas complementares como banco de dados e demais equipamentos acessórios. Os protocolos que implementam a transmissão em cada parte da cadeia da rede de transmissão também serão analisados exaustivamente. Todo esse trabalho será baseado nas RFCs, livros e documentações de fornecedores e fabricantes.

O cronograma previsto envolve reuniões semanais de alinhamento, discussão e publicação dos conhecimentos adquiridos. Exames também serão realizados para avaliar os componentes em relação um ao outro, o que conseguirá analisar as dificuldades e as falhas no grupo.

Outro passo fundamental é a pesquisa das soluções já existente com o mesmo objetivo proposto pelo grupo, afinal de contas, são várias as frentes no mundo que desenvolvem novos estudos e aplicações e eventualmente pode-se encontrar grupos com propostas similares. O método aplicado neste caso é colaboração já que utiliza-se neste projeto, recursos open-source. O objetivo não é apenas utilizar o que está pronto, mas também de acrescentar melhorias e experiências para o existente.

Na fase de implementação da rede GSM com uso de serviços open-source será necessário a compreensão e adaptação ao código da já existente solução OpenBSC, do grupo Osmocom. Solução essa encontrada que mais se aproxima com a ideia do projeto. Nas análises preliminares, o que foi desenvolvido até agora atende parcialmente aos requisitos do projeto e carece de adaptações, correções e extensões no código-fonte. Este já está disponível para download.

O projeto depende da aquisição de um BTS, física e com os requisitos básicos de um serviço comercial. Projeto de implantação e instalação de um estação radiobase com seus requisitos de infraestrutura e frequência serão contempladas.

A princípio, para o desenvolvimento do código será utilizado a solução unificada, no qual todas a funcionalidades de uma BSC são concentradas num único módulo de simulação. Então o código da Osmocom será adaptado para interfacear com a BTS adquirida e todas as funcionalidades previstas no código serão centralizados neste módulo único.

Com o código adaptado é preciso testá-lo. Para isso, será utilizado u[a BTS disponível, no qual a BSC e a MSC serão elementos virtuais na estrutura, conseguindo atingir o primeiro objetivo da solução unificada, depois de solucionar todos os erros encontrados nesta fase de teste.

Uma das últimas fases é a homologação de todas as funções. Simulações serão feitas para avaliar se a solução desenvolvida atende aos requisitos de um serviço comercial básico. Ressalte-se que não pretende-se atingir todas as funcionalidades no nível de qualidade oferecido pelas operadoras.

Por último, será acrescentado outras funções nessa rede GSM montada, como os bancos de dados, interfaces de controle e front-ends para operação e visualização. Mas esta etapa será trabalhada apenas se todas as anteriores forem concluídas sem erros e com todas dificuldades superadas. O meio de comunicação adotado pelo projeto foi de reuniões semanais para o nivelamento de informações. Além disso, tudo que é adquirido e desenvolvido é postado numa Wiki aberta para todos do grupo, no qual o acesso é feito a qualquer hora, facilitando também a centralização de todas as informações, o que evita as perdas de ideias.

Cronograma e Plano de trabalho

  • 1º Semestre
    • 1 - Visão geral da arquitetura de uma rede GSM/3G
    • 2 - Estudo detalhado dos componentes e do funcionamento de uma rede GSM/3G
    • 3 - Visita a uma estrutura de rede GSM/3G
    • 4 - Estudo do Modelo OSI
    • 5 - Estudo aprofundado da BSC
    • 6 - Apresentação à GGSN e à SGSN
    • 7 - Instalação de ambiente para disponibilizar o conteúdo adquirido
    • 8 - Pesquisa de soluções open source que substituem as soluções pagas
  • 2º Semestre
    • 1 - Apresentação ao software Wireshark para análise de rede
    • 2 - Avaliação do conteúdo estudado
    • 3 - Estudo do Projeto OpenBSC
    • 4 - Estudo dos códigos disponibilizados pelo projeto OpenBSC
    • 5 - Visita ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Campinas (CPqD)
    • 6 - Análise de BTS's disponíveis no mercado